sábado, 21 de dezembro de 2013


Não há forma de me expressar. As palavras fogem-me sempre que as tento pronunciar, a mente bloqueia e o ar torna-se irrespirável.
Olho para ti e não sei o que vejo. Persistes num mistério sem fim à vista, caminhando confiante de que a vida alguma coisa te deve, talvez um novo amor ou o retorno de um antigo. Isto sou eu, a imaginar mil e um cenários de fundo para esta peça de teatro que tento redigir e da qual és o único protagonista.
És um misto de vidas perdidas no tempo, saltitando entre os anos 80 e o segundo milénio. És um achado de culturas atiradas para uma caixa e abanadas com tanta força e magia que tudo o que de lá sai são divindades. Mas até esse lado grego eu questiono. Demando de onde vens, e nem o que fazes da vida eu sei. Desapareces e reapareces como um rasto de fumo que se dissipa no ar, tão rápido e sempre tão lento, perdendo-me no deleitar das imaginações que um frágil humano como eu alcança.
Olho para ti e não sei o que vejo. A tua imagem encontra-se entorpecida como uma sombra por trás de uma cortina, uma silhueta sem forma, deixando o cheiro genuíno numa divisão vazia que nada me diz.
Olho para ti e não sei o que vejo. E por isso é que continuo a olhar. Porque me entreténs com esse jogo das escondidinhas, regressando à infância que outrora se perdeu. Esse olhar sem fundo que agora reparo e me faz denotar uma alma corrompida. Talvez pelo que o tempo abraçou, esse maldito que te tirou a vontade de te perderes por entre sentimentos audazes, quebrando o fio que ligava a esperança ao teu coração perdido.