Quão grande é

Sente as minhas mãos trémulas. Sente a inquietação com que ficam sempre que lhes tocas, sente o suor frio que as aconchega cada vez que estás longe sem as poderes aquecer. Quão grande é o teu amor? Esse amor que te ocupa o coração e o transforma num açucareiro, que te apazigua a alma e te machuca o corpo de cada vez que te faltam prometendo que um dia voltam. Quão grande é a capacidade desse amor que não se elimina com o tempo e te faz rastejar pela calçada agreste acima? Quão capaz és tu de suportar a capacidade desse amor que regressa uma vez por ano e parte ainda que a verdadeira tempestade não tenha chegado, tal como as andorinhas?
Por favor, leva-me contigo para a cova que crias a cada dia. Deixa-me manter o meu corpo junto ao teu uma vez que a magia das nossas almas já não mais existe. Deixa-me manter as nossas mãos entrelaçadas para que as minhas não voltem a se tornar trémulas, deixa-me guardar em ti tudo o que é meu e deitaste fora sem me dizeres. Mas, por favor, mata-me. Só a morte nos unirá novamente.

Comentários

AnaMoreira disse…
I will always warm up your hands.
Vera Sousa disse…
Uau, é cada texto! Tão profundo e sofredor, gostei muito*

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