Verdade ou consequência?

Dizemos que preferimos mil cruas verdades a uma só mentira, por muito pequena que seja, por muito que a ferida que poderá provocar se apague com o tempo e não faça derramar uma única gota de sangue do nosso coração. Dizemos que a sinceridade é um dos alicerces de uma vida, de uma relação, seja lá qual for o tipo da mesma. Mas apenas o dizemos quando não nos toca a nós, quando damos cada passo sabendo na perfeição que o chão que pisamos é verdadeiro e que cada pessoa que vemos sempre que olhamos para o lado é pura e do mais permanente possível.
Quando as nossas acções deixam de ser nossas e passam a implicar qualquer outra pessoa, sentimos dentro de nós, a fazer bater mais depressa o nosso coração, todos os mil e um sentimentos que podemos sentir numa vida inteira. E o simples facto de não sabermos o que fazer, deixa-nos inseguros e despedaça cada entranha do nosso corpo.
Queremos guardar só para nós, mesmo que nos consuma e não nos deixe seguir em frente, só para não ver sofrer a ou as pessoas que envolvemos numa rede de distúrbios. Preferimos ver todos os dias um sorriso no rosto de outros em vez de partilharmos o peso que carregamos no peito para nunca ver um olhar de lado, uma descriminação, um murmúrio de palavras. Até que contamos o que nos preocupa a alma e tudo se desmorona numa fracção de segundos como se um temporal passasse por nós sem sequer o vermos. Os laços que outrora nos uniram deixam de ser palpáveis e por muito que o tempo passe, por muitas boas acções que façamos ao longo dos anos, nunca vai ser suficiente. E provavelmente a dor que carregaríamos se nunca tivéssemos dito uma única palavra seria sempre menor do que a dor causada pela verdade que destruiu não só o nosso futuro pacífico, como o de dezenas de pessoas que giram em nosso torno. E os olhares discriminatórios dos nossos semelhantes vão ter sempre o poder de fazer baixar o nosso, até sermos capazes de o levantar de forma a encontrarem-se no mesmo campo de visão, pois sabemos que a única salvação, por muitas barreiras que nos imponha, é somente a verdade. E quem não souber viver com ela, que faça uma teia de mentiras que apenas aguente com aquele que as prefere.



Comentários

Desidéria disse…
Selinho para ti no meu blog :) *
http://morderteocoracao.blogspot.com/2010/04/1-selo_30.html
Daniela disse…
Os teus são bem melhores. :)
Joana S. *-* disse…
Que bonito :)
A seguir*

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