Mudanças

Às vezes tenho em mim uma vontade enorme de mudar. Mudar de casa, mudar de carro, mudar de cidade, mudar de país, mudar de música e de livros, mudar tudo. E mudar-te a ti.
Se pudesse tocar-te e entrar em ti, tal e qual como nos filmes, fazia uma revisão aprofundada e demorada ao teu corpo. Mudava esse teu coração que cada vez bate menos depressa e com menos vontade, passava pelos teus pulmões para lhes fazer uma limpeza e desobstruir todos os caminhos até ele para sentires o ar puro que existe à tua volta todas as manhãs que acordas e todas as noites que adormeces, subia até à tua cabeça e varria essas ideias malucas que por vezes nem acredito que tens e depois parava aqui e ali, para te conhecer por dentro e ver de que és feito, se és como o mortal comum ou tens em ti algo de sublime.
Quer acredites, quer não, por vezes esta vontade não a encontro em mim. Simplesmente aceito-te como és e vejo em ti a melhor pessoa do mundo, cheia de vida e curiosidade, memórias e paixões, sentimentos e sonhos. Até que uma nuvem grande e cinzenta é puxada para ti e por ti, e tudo aquilo que tens em cada parte do teu ser desaparece em segundos e só passados dias volta a nascer.
Gostava que fosses mais certo. Não tão certo quanto o andar do relógio nem tão discrepante quanto um sismo sem previsão, apenas mais certo. Menos impulsivo e mais característico. Mais cheio de vida e mais apaixonado pela mesma. Que pegasses no teu carro e passeasses mais vezes, que fizesses serões em cada dia de chuva mas sem nunca te fechares no teu quarto à espera que o Sol volte a sorrir. Mas em cada acção tua, eu sei e tu sabes que deixas sempre uma marca que nunca sai, num lugar imbatível, o teu coração.

Comentários

Daniela disse…
Escreves tão bem *.*
cláudia disse…
gostei bastante deste :)

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